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Kiev amanhece sob bombardeios dois dias após ataque 'terrorista' contra campo de treinamento da Rússia

Ataques realizados com drones deixaram ao menos três mortos e tiveram como alvo principal infraestrutura energética ucraniana

Porto Velho, RO -
A Rússia usou drones nesta segunda-feira para realizar ao menos cinco bombardeios em Kiev, dois dias após o que disseram ser um ataque "terrorista" contra um campo de treinamento que preparava voluntários para lutar na guerra. Ao menos três pessoas morreram na capital ucraniana durante a ofensiva, que novamente teve como alvo principal infraestruturas de segurança russa.

Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, a Rússia teria usado drones "kamikaze" iranianos, que mergulham do céu em direção ao seu alvo, explodindo no impacto — uma referência aos pilotos japoneses que usavam seus aviões para ataques suicidas durante a Segunda Guerra Mundial. Entre outros pontos, atingiram uma estação de aquecimento e a sede da empresa nacional de energia.

"Toda manhã e toda noite, o inimigo aterroriza a população civil", disse o presidente em seu Telegram. "O inimigo pode atacar nossas cidades, mas não conseguirá nos quebrar. Os ocupantes receberão punições justas e condenação das gerações futuras. E nós teremos nossa vitória."

O primeiro-ministro do país, Denis Shmigal, disse que "centenas de locais" pelo país ficaram sem energia após os ataques na capital e em Dniéper, no centro do país, e Sumi, no Noroeste — ambos atingidos por mísseis. O chefe do Gabinete presidencial ucraniano, Andriy Yermak, afirmou que "os russos acham que isso os ajudará, mas essas ações mostram seu desespero".


De acordo com os Serviços de Emergência locais, há ao menos 18 pessoas feridas e duas soterradas após os bombardeios que começaram por volta de 8h15 da manhã (2h15 no Brasil). As sirenes de emergência, segundo relatos da população local, começaram a soar cerca de 10 minutos antes.

O Ministério da Defesa russo disse em um comunicado que usou armas de alta precisão e lançamentos de navios para atacar áreas militares e a infraestrutura energética ucraniana. Segundo o Kremlin, que não citou explicitamente a capital ucraniana, "todos os alvos designados" foram atingidos, sem especificá-los ou caracterizá-los como uma represália pelo ataque de sábado contra o centro de treinamento.

Vitaly Klitschko, prefeito de Kiev, disse que 28 drones foram vistos pela cidade, resultando em ao menos cinco ataques — ao menos 37 foram abatidos em todo o país entre a noite de domingo e a manhã de segunda. Os alvos foram escolhidos com o objetivo de atrapalhar o abastecimento de energia e a capacidade ucraniana de se aquecer às vésperas do inverno boreal, afirmou ele, relatando que entre as vítimas há uma mulher no sexto mês de gestação e seu marido.

— O alvo é toda a infraestrutura energética da Ucrânia. É deixar nosso povo congelando no inverno — disse Klitschko. — Eles querem uma catástrofe humanitária — completou o prefeito, que deu declarações em frente à cena de um dos ataques, contra um prédio de quatro andares na região central da cidade, onde ao menos uma mulher morreu.

Os bombardeios foram os maiores na capital desde o ataque maciço de uma semana atrás contra 12 regiões ucranianas, que mataram ao menos 19 pessoas. Foram uma retaliação à derrubada de um trecho da ponte estratégica que liga a Península da Crimeia ao território continental da Rússia, incidente classificado por Moscou como um "ato terrorista" ucraniano.

Contra serviços de emergência

A detonação desta segunda na estação de aquecimento ocorreu em um dos lados da rua Zhylianska, em frente a um local onde havia ocorrido outro ataque cerca de uma hora antes. Segundo Kiev, trata-se de uma tática russa para matar equipes de resgate e serviços de emergência.

Há também relatos de ataques, com mísseis ou drones, contra a região de Khmeltnytskyi, no Centro ucraniano, e de infraestruturas em Odessa, na costa do Mar Negro.

Os ucranianos também denunciaram bombardeios contra Zaporíjia, uma das quatro regiões que o presidente Vladimir Putin anexou unilateralmente após referendos internacionalmente contestados no final de setembro. Os bombardeios forçaram mais uma vez a interrupção do fornecimento de energia para a central atômica homônima, a maior da Europa, de acordo com a empresa energética ucraniana, a Energoatom.

Os bombardeios mais recentes vêm no mesmo dia em que o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, anunciou que a "mobilização parcial" de reservistas na cidade terminará nesta segunda às 14h (horário local), pois a cidade cumpriu sua cota não especificada. Na semana passada, Putin havia dito que o processo terminaria até o fim do mês.

A mobilização foi anunciada também no fim de setembro, buscando cerca de 300 mil homens por todo o país. A medida veio após derrotas consecutivas impostas pela ofensiva ucraniana aos russos, que tiveram um forte impacto moral — o Kremlin, ainda assim, continua a manter o controle de cerca de 15% do território do país vizinho, equivalentes a 120 mil km².

Os ataques mais recentes coincidem também com o início dos exercícios de dissuasão nuclear da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar encabeçada pelos americanos.

O treinamento "recorrente e de rotina" vai até o dia 30 e estava planejado desde antes da eclosão da guerra, diz o grupo, afirmando não ter detectado nenhuma mudança na postura atômica russa, apesar das ameaças cada vez mais frequentes de que Putin possa usar seu arsenal nuclear.

Quase simultaneamente, os 27 Estados-membros da União Europeia (UE) anunciaram que irão treinar cerca de 12 mil de soldados ucranianos, além de treinamentos especializados para outros 2,8 mil a partir do meio de novembro. 

A missão europeia terá uma duração inicial de dois anos, um Orçamento que ultrapassa 100 milhões de euros (R$ 516,4 milhões), e trabalhará inicialmente no território polonês.

Drones 'kamikaze'

Os ucranianos põem a culpa dos ataques mais recentes nos drones iranianos Shahed-136 — lançados de caminhões, eles têm uma asa triangular, carregam até 36 kg de explosivos e têm um alcance de até 2,4 mil km. 

Também são lentos e barulhentos, o que facilita sua detecção e abatimento, algo que os ucranianos têm conseguido fazer com algum sucesso — à televisão local, o porta-voz das Forças Armadas, Yuriy Ihnat, disse que entre 75% e 80% deles são derrubados.

Teerã nega ter parte na guerra russa, disse o porta-voz de sua Chancelaria, Nasser Kannani, e afirma ter feito esforços para pôr um fim ao conflito. Seus drones, contudo, começaram a ser usado mais frequentemente pelos russos há cerca de dois meses, algo que analistas ocidentais afirmam poder ser um sinal de que Moscou enfrenta uma escassez de armas de alta precisão. 

São uma boa opção já que não são tripulados, ou seja, permitem ataques sem pôr em risco o contigente russo, já com problemas antes da mobilização parcial.

No início de agosto, quando foram detectados pela primeira vez no Nordeste ucraniano, eram usados mais nas linhas de frente. Nas últimas semanas, contudo, vêm sendo usado contra alvos mais distantes, contra infraestruturas energéticas e o que os ucranianos dizem ser alvos civis. Na quinta, por exemplo, ao menos seis drones Shahed-136 foram usados para atacar Bila Tserkva, a cerca de 80 km da capital. Outros seis foram abatidos.

Os ucranianos também usam drones, lançando mão dos turcos Bayraktar TB2 contra tanques e outros equipamentos militares russos. Os EUA também forneceram a Kiev drones kamikazes americanos, os Swtichblades.


Fonte: O GLOBO

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